Verdade ou Lenda? O que se sabe sobre o Exorcismo de Caravaggio

Mistério, curiosidade e uma lenda urbana. É isso que envolve um exorcismo ocorrido no Santuário de Caravaggio no ano de 1947, feito pelo padre Theodoro Portolan, quando uma mulher teve um demônio expulso de seu […]


Publicado por Milena Silva

há 3 semanas atrás

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Mistério, curiosidade e uma lenda urbana. É isso que envolve um exorcismo ocorrido no Santuário de Caravaggio no ano de 1947, feito pelo padre Theodoro Portolan, quando uma mulher teve um demônio expulso de seu corpo dentro da sala da sacristia. A reportagem do Grupo RSCOM esteve no Santuário para conversar com o Padre Jocimar Romio sobre este caso que, mesmo após 74 anos, ainda mexe com o imaginário da Serra Gaúcha.

A história, registrada em livros e documentos, trata de uma mulher, moradora da Linha Jansen, no interior, que teria sido amaldiçoada pelo seu ex-noivo, após dar fim ao relacionamento. “Você está rindo agora, mas um dia você vai se casar, e neste dia, algo de muito estranho vai acontecer com você!”, teria dito o homem. De fato, após alguns anos a mulher se casou e teve filhos, porém, coisas estranhas começaram a ocorrer.

Livros e materiais usados no rito do exorcismo estão expostos no Santuário

Ela passou a fugir de casa e esconder-se em matagais próximos, alternava momentos de melancolia e tristeza e, conforme relatos, fugia assustada sempre que se aproximava de uma igreja.

Conforme Romio, o nome dos envolvidos, principalmente da mulher, são mantidos em segredo absoluto devido aos ritos da Igreja Católica. Ele diz que o caso é tratado com muito cuidado e respeito, já que há elementos verdadeiros e o que ele chamou de sobrenaturais envolvendo caso.

Nos dias de hoje, Romio salientou que o caso é tratado em conjunto, envolvendo a religião e a ciência da psiquiatria.

“Hoje nós vemos um possível caso de possessão como algo sério, que deve ser analisado por pessoas competentes. E esta competência é da psiquiatria e dos peritos religiosos. Nenhum padre irá por conta própria fazer um exorcismo. É preciso uma análise antes com um profissional e uma conversa com o Bispo, além de uma autorização da diocese para que seja feito o rito do exorcismo”, disse.

Há época, o padre Portolan teve a autorização do então Bispo de Caxias do Sul, Dom José Barea. Ele foi até um convento na cidade de Garibaldi para confessar-se, como parte da purificação para poder fazer o ritual. Algumas freiras que auxiliariam o ritual também se retiraram alguns dias para purificação.

A mulher foi levada até o Santuário em um cavalo, cerca de cinco homens foram necessários para tal feito. No caminho, por algumas vezes ela tentou fugir para a farta vegetação que havia na estrada. Ao chegar, o padre Teodoro mandou fechar as portas da igreja. Do lado de fora da sacristia fieis faziam um grupo de orações.

O rito durou mais de oito horas, entre rezas e suplicas pela mulher. Os relatos dão conta de que ela blasfemava, tentava segurar os pés do padre e debochava a todo momento, inclusive do Latim proferido por Portolan. As acusações feitas pelo demônio foram tão fortes que uma das freiras passou mal e precisou se retirada da sacristia. Há quem diga que isso ocorreu pois ela não teria se confessado da forma correta.

Após os esforços dos religiosos, a mulher cedeu. Caiu no chão da sacristia como que sem vida. Uma oração de Nossa Senhora foi feita e uma hóstia consagrada colocada junto ao peito da mulher. Após algum minutos ela acordou e apontou para um canto da sala dizendo que ali estava o próprio demônio.

Foi neste momento que um ar gelado tomou conta da sala e como que em um sopro, as janelas se estilhaçaram. Teria sido por ali que o demônio se retirou do lugar.

Grades da sala da sacristia retorcidas chamam a atenção

Até hoje, as grades da sala onde o fato ocorreu estão retorcidas. Há quem diga que, se trocadas pela administração do Santuário, elas reaparecem tortas poucos dias depois. Também existem pessoas que defendem que as grades são as originais, do dia do exorcismo.

Padre Jocimar diz que as grades são parte do sobrenatural, da lenda urbana que se criou com o caso. Ele explicou os motivos.

“Não há relatos consistentes da grade retorcida na Igreja. Nós não encontramos nenhum local que fale de grade retorcida. Onde há escritos sobre o exorcismo encontramos sempre a questão da janela. Isso sim, que ele saiu pela janela, mas não pela grade. Então, tendo este cuidado, não colocamos por escrito em nossos registros sobre essa grade”, comentou.

O padre ainda comentou sobre a relação da sociedade com o exorcismo. Conforme ele, é preciso desmistificar o tabu que envolve o assunto e separar o que é lenda, o que é desconhecimento e o que é fato. Ele relatou que a Igreja está à disposição para falar sobre o assunto.

Há alguns cuidados como não expor os nomes e nem espetacularizar o exorcismo, tanto que há proibições de capturas de imagens e divulgações em meios de comunicação. Ele diz que não se pode fazer uma confusão através do desconhecimento.

“Vejamos: se alguém está com esquizofrenia, uma doença psíquica. E aí alguém confunde, “Há, deve estar possuído pelo diabo, então vamos lá fazer à força o exorcismo”, isso prejudicaria ainda mais a pessoa, né? Então, o desconhecimento ou uma ignorância das coisas pode gerar complicações ainda maiores. Alguém com um transtorno que passa por um ritual que não corresponde a sua realidade prejudica ainda mais”. 

Com todos os envolvidos já falecidos, o exorcismo de Caravaggio é, e continuará sendo contado por muitas gerações, alimentando o imaginário popular acerca do caso.

As grades retorcidas, pelo demônio ou não – nunca saberemos – são um convite para os peregrinos que chegam ao Santuário refletir sobre a existência do mal e de como a comunhão entre a igreja e a ciência psíquica, há não muitos anos atrás algo impossível de se imaginar, devem andar de mãos dadas em prol do bem comum.

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Por Milena Silva

há 3 semanas atrás

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