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UCS conquista patente de invenção de novo analgésico


A Universidade de Caxias do Sul conquistou a patente de invenção de uma composição farmacêutica analgésica voltada à preparação de medicamentos para alívio da dor e tratamento de processos inflamatórios. A pesquisa que resultou na Carta Patente Nº BR 102018072486-0 – referente ao ‘composto complexo de zinco com diclofenaco e nicotinamida, processo de produção e uso do mesmo’ –, foi desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, no Laboratório de Biotecnologia de Produtos Naturais e Sintéticos – LBIOP do Instituto de Biotecnologia da UCS. A inovação consiste na complexação do diclofenaco de sódio, fármaco que apresenta propriedades analgésica, anti-inflamatória e antipirética, com um metal, formando um composto organometálico.

A associação gerou um novo composto farmacológico, conforme explica o professor Sidnei Moura e Silva, que supervisionou o projeto junto ao docente Leandro Tasso. O trabalho teve início em 2016, com o envolvimento do, à época, aluno de doutorado Paulo Roberto dos Santos, que realizou a síntese química do organocomplexo, e de Jozi Godoy Figueiredo, durante o período de pós-doutorado, que conduziu os experimentos para avaliação da atividade biológica, empregando modelos experimentais para avaliação da analgesia. O pedido de depósito de patente foi submetido ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), sendo a patente concedida no primeiro semestre deste ano, no mês de maio.

O professor Sidnei explica que condições decorrentes de processos inflamatórios, como a dor e a febre, podem ser tratadas por vários medicamentos já disponíveis no arsenal terapêutico, com diferentes representantes que apresentam efeitos colaterais diversos. “Nosso estudo empregou o organocomplexo para avaliação da analgesia e teve como analgésico comparador um fármaco opioide. Os resultados foram promissores, o que o coloca como uma opção a ser investida, a fim de explorar as suas potencialidades. Acreditamos que o composto organometálico possa ser um agente para contribuir com uma eficácia terapêutica na analgesia”.

Perspectivas

O projeto propõe uma alternativa em benefício dos pacientes. “Condições dolorosas são muitas vezes incapacitantes, e ter uma opção terapêutica que possa levar à redução da dose, poderá também levar a reduções nos efeitos colaterais”, projeta. O organocomplexo obtido tem como proposta ser incorporado em formação para avaliação de seu potencial analgésico, que poderá ser sistêmico ou de uso local, a depender dos estudos de toxicidade e de experimentos complementares, conforme o direcionamento que lhe for concedido.

Para o docente, a conquista denota a força da pesquisa realizada dentro da academia, com o envolvimento de diferentes áreas. “Estes resultados nos motivam a produzir conhecimento e apresentam possibilidades de alinhamento às empresas farmacêuticas, o que propicia futuras interações que podem gerar frutos muito promissores ao mercado que se destinam”, afirma, ressaltando que a produção científica é extremamente engrandecedora, e demonstrando a necessidade de um olhar mais atento e de mais incentivos à ciência, visto que a pesquisa é contínua, com avanços e recomeços.

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